Com sede na Áustria, Manuel Rogaschewski começou a tatuar em 2015 e abriu o seu estúdio privado em 2021. O seu trabalho desenvolveu-se através da experimentação com padrões, blackout e projetos de grande escala, incluindo um bodysuit em curso na sua namorada Marrruana. Ele partilha a sua abordagem ao fluxo do corpo, os limites do seu estilo e o desafio de alcançar um resultado uniforme após a cicatrização.
1. Quem ou o quê o influenciou mais quando estava a começar?
Não acho que alguém me tenha influenciado no início porque entrei no mundo da tatuagem por acaso. Não foi planeado. Mas, com o tempo, a primeira pessoa a influenciar-me foi a lenda Raimundo Ramirez.
2. O que gostaria que alguém lhe tivesse dito antes de começar a tatuar?
Se alguém me tivesse explicado como funcionava, como podia começar ou como melhorar, provavelmente não teria acreditado. Só queria ter começado dez anos antes.
3. Já recusou tatuar a ideia de alguém? Porquê?
Sim, até hoje recuso por vezes uma ideia porque as pessoas querem tatuagens geométricas ou blackwork com elementos realistas. Não faço isso porque o realismo não é a minha praia.
Também recuso trabalhos a cores. Por vezes, recebo pedidos para peças com cor, algo que não faço.
4. Por que razão acha que os seres humanos têm um desejo tão forte de decorar ou modificar os seus corpos?
Acho que querem parecer diferentes dos outros.
5. Acha que um corpo com muitas tatuagens acaba por se tornar numa nova identidade, em vez de ser apenas uma versão modificada da original?
Sim, tudo muda: a aparência, a confiança em si mesmos. A pessoa como um todo muda.
“Estamos sempre a melhorar.”
— Manuel Rogaschewski
6. O projeto do bodysuit com a sua namorada nunca foi planeado como um bodysuit completo. Como é que o plano mudou desde que começou?
À medida que avançávamos com o projeto, ele crescia cada vez mais. Depois começámos pelas costas, depois pelas pernas, e soubemos que seria um bodysuit.
Com o tempo, por vezes surgem melhores ideias, e foi isso que aconteceu. Alterámos partes do fluxo e algumas áreas de blackout, e também adicionámos branco sobre preto. Estamos sempre a melhorar.
7. Lembra-se da primeira tatuagem que fez nela?
Sim, foi um antebraço preto num congresso.
8. Como faz para o trabalho geométrico fluir naturalmente com a anatomia do corpo, em vez de simplesmente colocar um design por cima?
Foco-me principalmente no fluxo dos músculos e na forma do corpo, e faço sempre os designs maiores.
9. Qual é o aspeto tecnicamente mais desafiante na criação de blackwork de grande escala?
Obter uma superfície lisa e uniforme que cicatrize bem, com um bom resultado após a cicatrização.
10. O que é que as pessoas entendem mal sobre o blackwork?
Algumas pessoas pensam que é fácil, mas é preciso ter o conhecimento certo.

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